Sagração

CIA Deborah Colker

Dança

70 min

Criação, Direção e Dramaturgia:

Deborah Colker

Data/Temporada:

14 à 30 de junho

Horários:

Quartas-feiras, às 20h

Quintas-feiras, às 20h

Sextas-feiras, às 20h

Sábados, às 20h

Domingos, às 18h

Classificação:

10 anos, menores de 10 anos acompanhados dos pais ou responsáveis legais.

Valor dos ingressos:

R$39,00 a R$220,00

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A Sagração da Primavera

O Espetáculo

Dança

Em junho, a Companhia de Dança Deborah Colker estará pela primeira vez no Teatro Santander, para comemorar seu trigésimo aniversário e apresentar o espetáculo inédito “Sagração”. Na versão dirigida por Deborah Colker, a música clássica de Stravinsky encontra ritmos brasileiros em um roteiro inspirado por visões ancestrais sobre a origem do mundo. As apresentações fazem parte da temporada 2024 da Companhia, com a turnê celebrativa dos seus 30 anos.
“Ao longo dessas três décadas, assistimos e participamos de muitas transformações na cultura, na política e na economia. Chegamos até aqui porque temos este espírito de evolução, que é um tema muito precioso para o novo espetáculo”, avalia o diretor executivo João Elias, que em 1994 fundou a companhia de dança com Deborah Colker.

O processo criativo de “Sagração” durou dois anos e meio. O espetáculo é uma livre adaptação de “A Sagração da Primavera”, obra composta pelo russo Igor Stravinsky, que ganhou projeção mundial pela montagem estreada em Paris em 1913, com coreografia de Vaslav Nijinsky e produção de Sergei Diaghilev para os Ballets Russes. A composição musical é considerada revolucionária por introduzir estruturas rítmicas e harmônicas nunca utilizadas em partituras.
“Quando decidi recontar esse clássico, pensei que teria de ser a partir da cosmovisão de povos originários do Brasil”, lembra Deborah, que também é pianista. “Stravinsky foi responsável por pontos de ruptura e provocação entre o erudito e o primitivo. ‘A Sagração da Primavera’ representa esses pontos de evolução da humanidade”.

Foi em uma viagem para o Xingu, durante o Kuarup, e no encontro com as aldeias indígenas Kalapalo e Kuikuro, que Deborah conheceu Takumã Kuikuro. O cineasta contou a ela como o povo do chão recebeu o fogo do Urubu Rei. Essa história é dançada e acompanhada por narração do próprio Takumã e faz parte da coleção de cosmogonias que a diretora reuniu para montar a dramaturgia do espetáculo.
“Tudo só poderia ter começado com uma mulher. Uma avó. A avó do mundo”, conclui Deborah, que, na companhia de Nilton Bonder, revisitou a mitologia judaico-cristã. Do livro “Gênesis”, as passagens sobre Eva e a serpente e sobre Abraão ganham cenas que destacam momentos de ruptura. “São dois mitos que elaboram sobre a consciência humana: pela autonomia de uma mulher que desperta para caminhos interditados e transgride; e de um homem que sai da sua casa e cultura em direção a si mesmo”, destaca o dramaturgo. Além das alegorias bíblicas, a coreógrafa também buscou referências na literatura científica.